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Tocantins,17/04/2026

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    ‘Vivia em oração pela família’, diz sobrinha de mulher vítima de feminicídio; filhas são suspeitas

    g1.globo.com
    ‘Vivia em oração pela família’, diz sobrinha de mulher vítima de feminicídio; filhas são suspeitas


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    A servidora pública e empresária Deise Carmen de Oliveira Ribeiro, de 55 anos, era apegada à família e vivia em oração pelas filhas, segundo uma sobrinha que preferiu não se identificar, em entrevista ao g1 nesta quarta-feira (8).
    O corpo de Deise foi encontrado no dia 1º de janeiro, no Rio Santa Tereza, em Peixe, no sul do Tocantins. Segundo a Polícia Civil, as filhas são suspeitas de feminicídio, motivado por conflitos familiares e interesses financeiros.
    Déborah de Oliveira Ribeiro, de 26 anos, e Roberta de Oliveira Ribeiro, de 32 anos, além do marido da vítima, José Roberto Ribeiro, de 54 anos, foram indiciados pelo crime, na última segunda-feira (6). Segundo a polícia, as filhas teriam sido responsáveis pela morte e pela ocultação do corpo, enquanto o pai teria atuado na eliminação de provas após o feminicídio, tentando atrapalhar as investigações. Os três estão presos preventivamente desde fevereiro.
    Em entrevista ao g1, a sobrinha contou que Deise amava as filhas e vivia pedindo orações, fazendo campanhas em prol da família.
    Deise Carmem foi morta a facadas e teve o corpo jogado em rio, segundo a polícia
    Reprodução/Arquivo pessoal
    "Então, isso demonstra que ela amava e cuidava das filhas, do marido e das netas. As filhas nunca foram muito próximas da família, e minha tia relatava episódios em que elas eram bastante agressivas com ela, tanto em palavras quanto em atitudes. Ela era totalmente apaixonada e emocionalmente dependente do marido. Todos que a conheciam sabiam disso. Várias pessoas, inclusive, discordavam da união, por não considerarem o relacionamento saudável. Ainda assim, ela sempre entregava a relação conjugal a Deus e seguia em frente", contou a sobrinha.
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    Em nota, a defesa de Déborah, Roberta e José Roberto afirmou que o relatório policial possui "lacunas fundamentais" e que a narrativa carece de lastro probatório técnico em diversos pontos. A defesa informou que tomará as medidas legais para assegurar o contraditório (veja nota completa abaixo).
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    Deise Carmem era dona de uma fábrica de rodos que era a principal fonte de renda da família. Conforme o delegado João Paulo, as filhas, apesar de exercerem outras atividades, dependiam financeiramente da mãe.
    "As filhas queriam ter um padrão de vida, não de luxo, nada disso. Mas dependiam financeiramente. E a vítima era um empecilho para isso. Um dos conflitos maiores ultimamente foi o pai ter dado, inclusive, um cartão para uma das filhas gastar, e a mãe não concordava com isso."
    Segundo a investigação, a vítima era vista pelas filhas como um “embaraço”. Com a morte, elas poderiam, supostamente, ter controle sobre a empresa.
    "Então as filhas viam a mãe como um embaraço na vida delas. A partir do momento que a mãe faltasse, elas iam ter total controle porque o pai, além de ser, entre aspas, "bom" para elas, é uma pessoa assim que não tem muita instrução, ele não ia tentar fazer esse controle, ele não ia controlar as despesas, a questão financeira. E isso ia passar para elas, elas iam ter total controle", explicou o delegado.
    A suspeita da polícia é de que o crime foi planejado e executado pelas filhas. A investigação apontou que elas compraram um celular no nome da mãe e, após matarem a vítima, usaram o aparelho para enviar mensagens aos parentes, fingindo que Deise tinha ido embora por conta própria. A estratégia serviu para atrasar as buscas e enganar a polícia.
    O marido, José Roberto Ribeiro, foi indiciado por ter atuado na eliminação de registros relevantes após o crime e tentado atrapalhar as investigações.
    Dinâmica do crime
    No dia 26 de dezembro de 2025, a vítima foi levada para uma área rural perto da Vila Quixaba, onde foi morta com vários golpes de faca. Depois, o corpo foi jogado no Rio Santa Tereza, na zona rural de Peixe.
    O inquérito foi conduzido pela 94ª Delegacia de Polícia de Peixe, com apoio da 8ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) de Gurupi.
    O caso foi encaminhado para Justiça e será analisado pelo Ministério Público Estadual (MPTO), que definirá se apresenta a denúncia criminal.
    Íntegra da nota da defesa
    A defesa técnica de Déborah de Oliveira Ribeiro, Roberta de Oliveira Ribeiro e Jose Roberto Ribeiro, diante da recente conclusão das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Estado do Tocantins e das solicitações de pronunciamento enviadas por este veículo de comunicação, vem a público esclarecer que recebeu com absoluta serenidade o relatório final apresentado pela autoridade policial em 1º de abril de 2026. A conclusão do inquérito é uma etapa natural do rito processual e, para os investigados, representa o início da oportunidade de confrontar judicialmente as hipóteses levantadas na fase inquisitorial.
    É imperativo reconhecer o excelente e exaustivo trabalho desempenhado pela Polícia Judiciária e pela Superintendência da Polícia Científica do Estado do Tocantins. Contudo, muito embora o esforço investigativo seja notório, a defesa sublinha que inúmeras lacunas fundamentais restam a ser preenchidas. A narrativa policial, em diversos pontos, carece de lastro probatório técnico e se baseia em interpretações que serão devidamente contestadas no foro adequado.
    A defesa destaca que a própria autoridade policial, em seu relatório final, admitiu não ter reunido elementos suficientes para vincular Jose Roberto à execução do homicídio ou à ocultação do cadáver. O indiciamento deste restringe-se exclusivamente a uma suposta supressão de mensagens digitais, o que afasta, de plano, qualquer participação nos crimes investigados.
    A defesa tomará todas as medidas legais cabíveis assegurando que o contraditório e a ampla defesa sejam exercidos em sua plenitude. Confiamos que, sob o crivo do Poder Judiciário e com a devida paridade de armas, as lacunas hoje existentes serão sanadas, restabelecendo-se a justiça e a verdade real sobre os fatos.
    A defesa permanece à disposição das autoridades e da sociedade, reiterando o compromisso com a legalidade e a presunção de inocência.
    Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
    Deise Carmem de Oliveira Ribeiro foi encontrada morta em um rio em Peixe
    Arte g1




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